Luzes entre o mar de morros; Juiz de Fora é conhecida como a maior cidade da Zona da Mata mineira, com aproximadamente 600.000 habitantes.
Localizada próxima à capital Belo Horizonte (270 km) e do Rio de Janeiro (180 km) e a 480 km da cidade de São Paulo, este é um lugar convidativo para estudantes universitários e comerciantes.
Mas o que esperar deste lugar, relativamente grande, no que diz respeito ao Gótico e ao underground?
Há anos ainda era possível se ver pessoas que se reuniam no central Parque Halfeld ou nas escadarias da catedral da cidade, para conversar e se distrair. Pessoas com, nem sempre os mesmos intuitos e objetivos, mas que sempre estavam ali.
O desejo de fazer algo era constante, idéias surgiam. A vontade da constituição de uma cena forte e ativa era presente na mente de alguns, enquanto na de outros não passava nem como vaga hipótese.
Quando estes finalmente decidiram criar a estrutura de seus desejos e dar vida aos muitos projetos e planos, deu-se, por meio de cinco pessoas, o início do grupo que foi o responsável por todas as atividades referentes ao Gótico em Juiz de Fora, deu-se início ao grupo Noite em claro.
A primeira realização que levava o nome do grupo surgiu marcada para 31 de outubro de 2009. Uma festa onde por fim poderiam-se ouvir músicas das quais antes só se ouvia dentro dos próprios quartos, um set list rico e variado que transitava entre estilos como Post - Punk, Cold Wave, Death Rock e outros.
A Noite dos Mortos - Vivos (31 de outubro) foi o que muitos esperavam há tempos. Foi, em outras palavras, a festa que superou todas as expectativas.
Algum tempo depois, ainda revivendo e comentando os bons momentos da noite do dia 31 de outubro, o grupo decide reunir novas idéias e logo uma próxima realização estava de data marcada.
27 de fevereiro de 2010, estava por vir o Expresso Noturno! E desta vez novidades viriam junto.
Além da divulgação mais ampla e um set list mais elaborado e aberto a sugestões do público através da internet. A Expresso Noturno veio com o lançamento de coletânea que levava o mesmo nome. Feito para a venda e sorteio, reunia promissoras bandas do cenário nacional.
Apesar do sucesso da festa, a partir daí os ânimos entraram em constante queda. Não por parte do grupo apenas, mas as pessoas da Juiz de Fora já não correspondiam ao que antes podia-se esperar delas.
O desinteresse sempre fora um forte empecilho por entre estas ruas e prédios. Aqueles que se diziam adeptos à cultura passaram a não mais freqüentar as festas; e os endereços do grupo na internet foram lentamente deixados às moscas.
Muitos também começaram a abandonar a cena (se é que quem abandona um dia fez parte) e as coisas lentamente entraram em declínio e fragmentação.
Um sarau foi feito, que visava já não mais reunir pessoas que freqüentaram as festas anteriores e sim, desta vez, pessoas ligadas à arte de alguma forma. O bar onde os eventos aconteciam fora devidamente decorado e nas paredes haviam quadros que homenageavam escritores como Poe e Baudelaire.
No intervalo de tempo entre o sarau e a próxima festa que viria a acontecer, um zine foi criado.
Levando o mesmo nome do sarau "Últimos Versos", ele trazia poemas manuscritos, cujo os autores eram os mesmos que recitaram na noite do evento.
O zine "Últimos versos" ainda está disponível para a venda através dos endereços do grupo.
No dia 13 de novembro de 2010 foi realizada “A noite dos Mortos - Vivos Parte I I". Festa que só viria para fortalecer a visão de decadência já percebida anteriormente.
Muitas pessoas estiveram lá, porém onde estavam aqueles que se intitulavam Góticos? Os que se diziam fãs dos estilos musicais que lá tocaram? Não havia ninguém lá exceto jovens pertencentes a outras tribos urbanas (por assim dizer) e pessoas que freqüentavam o local por falta de opção.
Eram tempos severos, o Grupo Noite em claro perdeu membros, já não havia animo ou força alguma para continuar, mas..." Às vezes é preciso morrer para renascer mais forte."
Produziram muito, até mais do que se poderia esperar de cinco pessoas trabalhando juntas com os meios que dispunham, e muito ainda há para se fazer.
A cidade hoje permanece em sua falta de eventos e na decadência do underground. O Grupo Noite em claro permanece suas atividades, com um foco mais amplo, desta vez já não tão voltada à Juiz de Fora, e sim, a cena nacional como um todo.
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